23
Out 08

Não consigo encontrar-te

Neste meu mundo de paixões.

 

Procuro-te hoje

Procuro-te amanhã

Mas não consigo encontrar-te.

 

Procuro-te na escuridão da noite iluminada

E na clareza de um dia de Inverno

Não te procuro por procurar…

Procuro-te para te encontrar

Encontrar???

Mas já te encontrei!!!

 

Procuro o teu amor

Não quero perder a amizade.

Não quero perder os olhares,

Não quero perder-te.

 

Queria dizer-te

O quanto és único,

Que já não me imagino sem ti,

Que simplesmente dependo

Dos teus olhares

Do teu cheiro

Da tua voz

Que dependo de ti…

 

Queria dizer-te,

Mas não posso,

Vou fazer tudo sem que dês conta

Mas não te vou deixar fugir,

Pois és tudo o que eu mais quero.

 

Agora que te encontrei

Tenho que conquistar-te

E provar-te

Que também sei amar,

Não como ela,

Não como tu,

Mas sim à minha maneira…


11
Out 08

 

Dois tropeções de ternura
(O de Benamor Lhopes)
 
É simples a separação.
Adeus.
Desenlaçado o último abraço, uma pressa de dar costas um ao outro.
Já não há gestos. O derradeiro (impossível) seria não desfazer o abraço.
Pressa de cada um retomar o outro na teia lenta da remembrança.
Não desfazer o abraço. Ficar face encostada ao niagara dos cabelos.
Sobram fotografias, voz no gravador, um bilhete na caixa de correio.
Sobra o telefone. Possibilidade de voz não póstuma
No gravador, voz de ontem, de anteontem. De há anos.
Sobra o telefone. Mudo.
Retininte?
Sobrarão as cartas. Sobra a espera.
Na teia lenta da remembrança, retomo-te em memória recente: na praia de ternura onde nos enrolámos e desenrolámos desesperados de separação.
Sobra a separação. 
 

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